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segunda-feira, 27 de março de 2017

27 de março de 2017, 13 anos sem Kara Véia

Nasceu em 73. Em 2004 nos deixou.

O Edvaldo, tratador de cavalos, vaqueiro que gostava de cantar nos rebentões dos cercados da Chã-Preta, aboiava nas pistas de retorno das vaquejadas onde também era locutor. A voz rouca, firme, inconfundível, cada vez mais, era escutada entre os amigos nas festas de gado.
Nasceram as composições… O dom de compor estava aflorando e foi posto em prática nas campanhas políticas. Dormia cansado nos pequenos estúdios de gravação da capital, esperando um tempinho pra gravar mais um jingle de campanha.
Lembrando das paradas pra descanso, surgiu a obra “pé de umbuzeiro”, o primeiro grande sucesso. Conheceu um dos melhores sanfoneiros que já vi tocar. Nasceu uma grande e providencial parceria com Xameguinho.
A dupla formada com Carlos Cavalcante pôs em CD as canções (toadas), retratos das vidas dos verdadeiros vaqueiros.
Logo depois veio o CD de forró com o parceiro com quem cantava na Chã Preta. Kara Véia e Perreca ganharam de vez o gosto dos vaqueiros e dos que acompanham os vaqueiros, dos fazendeiros, dos filhinhos de papai que uma vez por ano visitam a fazenda e sujam as botas de lama pra dizer que são do campo. Todos aprovaram o estilo único e inovador.
A referência do forró de vaquejada, o eterno Vavá Machado, inspirava um jovem sonhador que seguia surpreendendo, fazendo coisa nova, com os pés fincados na essência matuta do interior. Suas composições agradavam. O jeito com que cantava composições já consagradas agradava. Sua interpretação era diferente.
Esse período coincidiu com o surgimento dos CDs piratas, e seus shows ao vivo tomaram conta das bancas.
O terceiro CD, já em carreira solo e sólida, foi gravado e produzido em um dos estúdios mais badalados do nordeste e chegou a vender, de primeira, 80 mil cópias. Lembro bem que ao negociar com a produtora, Kara Véia impôs como condição duas coisas:
1 -Gravar com os músicos que tocavam com ele (não aceitou gravar com os músicos do estúdio).
2- Gravar a música que fala em sua pequena cidade.
A contra gosto, a produtora teve que ceder. Era matuto de opinião.
Cantou num show de calouros em Chã Preta (eu estava lá) quando nunca tinha subido num palco. Cantou pra 50 mil pessoas no são João de Aracaju (eu estava lá) com a mesma simplicidade, com a mesma descontração.
Salve Kara Véia, artista alagoano que percorreu o nordeste com uma arte própria e que viria a ser referência pra muitos e muitos artistas.
Salve Kara Véia, amigo e patrão que cantou no meu casamento como se estivesse em casa.
Sua obra faz parte dá cultura nordestina. Mesmo os jovens não contemporâneos dele, se quiserem cantar ou tocar forró de vaquejada, tem por obrigação conhecer, ouvir Kara Véia cantar.
Algumas particularidades no modo de cantar e compor o tornam único.
Xameguinho certa vez me disse: ” fi da boba, o bixo sente o que canta, chega vira os olhos”.
Assim emocionado, sentindo o que cantava, fazia a música simples, de vaqueiro, cumprir todos os papéis.


POSTAGEM:
Por Wagner Accioly
Por: Vale Agora Web em 27/03/2017

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